sobre honestidade

   Por algum tempo, eu ignorei tudo o que estava acontecendo. Em nenhum momento escrevi sobre o ponto a partir do qual tudo está se desenrolando. Escrevi sobre as coisas que aconteciam que eram fruto desse ponto central. Nunca foi uma conversa honesta. E agora, sentada enquanto tomo a típica caneca de café de todas as horas, ignorando todas as mensagens possíveis, sinto que é preciso, mais do que nunca, ser honesta. Escrever com sinceridade e clareza sobre tudo aquilo que dói.

   Hoje eu acordei bem. Tive todas as horas de sono necessárias e até mais. Minha autoestima estava boa, tirei algumas fotos. Ignorei o fato de que estava fazendo tudo isso para parecer bem. Por alguns breves instantes, parecia que eu estava com tudo sob controle outra vez.

   Mas foram breves momentos. Eu estava caminhando devagar outra vez. Quem olhasse de fora não perceberia nada. Porque é o que há: uma ausência de coisas. Ausência de alguma faísca interna, uma luz que vem de dentro para fora. Provavelmente minhas fotos ficaram bonitas. Porém, nem toda a maquiagem conseguiu disfarçar essa ausência.

   As vezes é como um tsunami. Vem em ondas muito fortes, invade todo o meu ser. Minhas emoções ficam a flor da pele. Tudo fica estranho e fora do lugar, nada parece certo. Eu pareço errada. As lágrimas jorram por toda e qualquer coisa. Nunca é pelo motivo que digo ser. É como se eu aproveitasse o motivo para desabar, porque não sei qual o real motivo. Naquele momento, é como se a resolução daquele problema pudesse colocar tudo no lugar novamente. Mas tudo se resolve, nada passa. A ausência volta.

   Então é como um grande nada. É como se eu já não me importasse com nada. Poucas coisas conseguem tirar de mim alguma reação. Eu deito, o sono demora a chegar. Os pensamentos obstruem minha calmaria. Não há nada de errado. Tudo que pode dar errado é esperado. Então nada provoca surpresas. Meus olhos fixam em algum ponto ao longe, pode ser uma parede branca ou o tronco de uma árvore. Não há nada ali para ser observado. É porque não estou observando nada.

   Em alguns momentos, eu quero destruir todo esse ciclo. Quero derrotá-lo com alguma força que possa me restar. Acredito com o pouco que tenho que posso sair disso. Porque não é como se eu escolhesse. Todos os dias são uma tentativa, todas as manhãs são uma nova chance. Toda a maquiagem é uma tentativa. Toda a roupa lavada, o banho tomado e  a cama arrumada é uma tentativa. Tudo é uma tentativa. E ainda assim, alguns dias é como se tudo voltasse para a estaca zero. Como se nenhum progresso tivesse sido feito. Então eu espero que alguma coisa aconteça para que isso pare, porque não quero ser eu a culpada.

   Eu estou cansada outra vez. Como se não tivesse dormido sequer duas horas. Mas, ah, deus, qualquer que seja o seu, eu quero me salvar. Eu quero acordar e não sentir nada disso, nunca mais. Quero acordar e não estar cansada. Quero acordar e sorrir como quem está verdadeiramente feliz. Quero andar pelas árvores e sentir o cheiro dos eucaliptos. Eu não quero ser salva, quero salvar a mim mesma. Mas não sei como. Eu juro com todas as minhas forças que quero.

    I stare at my reflection in the mirror. Why am I doing this to myself?

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